Será que foi realmente ela?
Se eu soubesse que ele iria partir sem me dar sequer um adeus, teria feito de nosso último encontro algo extremamente diferente do que foi. O dia nublado não iria me deixar desanimada para sair da cama para fazer seu café. Se eu soubesse que dentro de sua cabeça havia alguém gritando, teria preparado panquecas e café amargo, com calda de chocolate e um bolo para acompanha-los. Iria acordar com sorriso no rosto, beijar sua testa e sair para o mercadinho perto de seu apartamento e faria a feira completa. Compraria seu salgado favorito, escolheria a dedo frutas, algumas folhas para um chá, e com toda certeza não iria me estressar com sua mania de enrolar na cama.
Teria comprado chocolate, diamante negro sempre foi seu favorito não é? Eu acho impressionante, você sempre dizia que amava comer cada pedaço e sentir a parte cristalizada como se fosse uma barra de chocolate feita com pequenos pedaços de chocolates no interior. Você descrevia a sensação como uma barra de chocolate infinita, como se toda vez que mastigava, mais chocolate aparecia. Sinceramente nunca entendi ao certo o que você via, para mim era apenas um chocolate qualquer. Confesso que com o tempo se tornou meu chocolate preferido, mas era porque você era minha pessoa preferida, não por causa de sua visão poética por um simples pedaço de cacau industrializado.
Você sempre tinha essa mania não é? Nada era e jamais seria simples para você. Tudo tinha uma visão positiva e alegre, por mais melancólico que Dylan fosse... nunca gostou que as pessoas te chamassem com o sobrenome, dizia sempre que seu nome era a sua marca no mundo. Até nisso você tinha poética envolvida... Nem singelas flores, como rosas, escapavam de sua visão romântica de mundo. As vermelhas eram significado de um amor verdadeiro, uma grande expectativa, toda vez que recebi suas flores em meu trabalho, meu dia se iluminava. Era sempre um buquê colorido, azul, vermelho, amarelo e rosa. Quando brigávamos, logo sabia que poderia esperar rosas brancas. As azuis, porque para você significava que tinha uma amor profundo e eterno, as vermelhas para mostrar que era um sentimento verdadeiro, as amarelas porque você queria que eu entendesse que apesar de tudo isso, ainda somos grandes amigos, melhores companhias, as cor de rosa eram para representar todo seu carinho por mim, e por fim as brancas simbolizando o que todo branco significa, paz e pureza.
Ah, mas agora quem irá me entregar toda essas demonstrações? Por mais românticos que alguns sejam, ninguém sabia me entregar tantos significados como você. Só Dylan era capaz disso e agora, tenho que seguir sem ti, e sem meu adeus. Para quem tinha tanta delicadeza para me tratar como uma princesa, em seus últimos dias ao meu lado acabou se esquecendo de sua própria essência. Não posso te julgar, sei que não foram bons momentos, achei até que não me amava mais, sendo que seu amor estava incluído até em simples notinhas que tinha toda atenção de colocar dentro de minhas coisas, apenas para lembrar de ti durante o dia inteiro. Não que fosse muito difícil, nunca saiu de meu pensamento mesmo quando suas lembrancinhas diárias acabavam.
Quando te conheci, me perguntava constantemente que tipo de pessoa lhe fez sofrer tanto a ponto de se preocupar com qualquer mínimo detalhe para me impressionar. Quem foi a garota, mulher, que te fez chorar durantes as noites que quando batia em sua porta, dizia que não era nada, mas sabia que estava escondendo de mim, por trás de seu sorriso, as lágrimas de chuva da tempestade que escurecia sua melhor qualidade.
Era um tanto errado de minha parte achar que foi apenas uma garota que lhe fez todo esse mal, mas em toda minha vida, não imaginei quantas vezes seu coração poderia ter sido usado e quebrado, afinal, quem seria capaz de ver um rapaz tão assustado e querer piorar a vida dele? E eu sei que quando se afastava, conversava com alguém, no começo achei até que me traia, medo meu de achar que um rapaz tão legal e empático como ti quisesse realmente ficar comigo. Você repetia muito o nome dela quando estava sozinho, “Dyl”. Muitas e muitas vezes, no começo, no meu achar você costumava se chamar assim por algum motivo que nunca fui entender.
Fui entender que esse nome não tinha a ver com você quando comecei a te chamar assim e apesar de seu sorriso forçado, claramente sentia-se mal com isso. Dyl não era você, era alguém que te machucou muito, ou então alguém que você nunca pode amar. Será que seria eu um substituto a ela? Eu duvido disso as vezes... ela não parecia ser uma boa memória para ti, mas a realidade é que todas as nossas memórias boas hoje, foram coisas que sofremos muito antes, talvez seu caso fosse que nunca conseguiu ver isso como uma evolução, mas como talvez, uma maldição.
Quando conheci Dyllian G. Williams, fui entender o que tanto repetia. Vendo ela naquela festa e sentindo a energia que se transformava ao redor de vocês como nuvens virando imagens no céu, fui conseguir ver que nunca fui o amor de sua vida, e o mesmo significou para mim que você jamais foi o meu amor. Mas porque ainda sofro tanto com sua partida? Naquele dia eu bebi, e foi muito. Para minha surpresa, ao invés de virar as costas para mim, você virou as costas para o mundo e cuidou de mim. Afinal, o que tenho de tão especial para você?
Pois é, Dylan... Eu acho que você me fez ver uma coisa que ninguém pode descobrir sobre ti antes. Um segredo entre nós que apenas nós aprendemos. Um laço eterno que nem mesmo sua tão decidida e amada paixão de infância pode entender. Um segredo que ninguém irá saber, pois morreremos juntos sem contar aos outros.
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