O velho e seu banco de praça
Uma vez o
destino me disse “Filho, você ainda terá um amor” e eu, desacreditado, segui
minha vida com se aquilo não fosse aquilo não fosse verdade. Anos depois,
encontrei Camila. Ela iluminava meu dia, era a pessoa mais linda, seus cabelos
longos e loiros. Olhos de piscina conquistaram-me no “Olá” que gritavam pelas
voltas da sua íris. Pensei “O Destino estava certo!” E partindo dai, comecei
então minha luta pelo coração de Camila.
Entreguei meu chocolate, flores e meu coração num mais lindo arranjo. Camila comeu seu chocolate, as rosas foram colocadas delicadamente numa agua com pedrinhas de gelo e guardou meu amor dentro de seu coração, como retorno, entregou-me o seu. Vivemos momentos incríveis, viajamos, curtimos a farra juntos, demos vários beijos, nos entregamos de corpo, e eu me entreguei de alma, pois o destino estava ao nosso lado! Era o que eu pensava, até então, a tempestade chegar a meus olhos.
Camila começou a me evitar... fugia do meu amor como bandidos fugiam da cadeia, sedentos por uma liberdade ilusória. Todas suas atitudes me angustiavam, uma por uma, comecei a me sentir sufocado de tanto desapego e insuficiência que sentia. Mesmo quando tentava explicar isso para Camila, ela sequer entendia ou tentava entender, costumava dizer que eu fiquei muito paranoico. Mas poderia eu não ser, visto que não sentia mais seu amor por mim? Suas mensagens sempre vinham de dia sim para dia não. Era raro quando podíamos falar sobre amor, tão pouco era as vezes que podia encontra-la e sentir seu calor no meu... Tudo isso era novo para mim, mas já sentia que algo estava errado.
Gritei ao mundo “Era isso que você previa?” enquanto chorava demasiadamente num banco de praça, fumando um cigarro e com uma garrafa de vodka na outra. Quando as lágrimas se sessaram, ouvi então a resposta “Eu disse que encontraria, não disse que seria fácil”. Foi quando percebi, talvez eu tivesse levado a sério isso, pensei que encontraria logo depois do destino me avisar, fiquei então, mesmo desacreditado, procurando tanto e acabei esbarrando nas dificuldades que encontramos primeiro. E realmente, o amor não era fácil... isso me lembra de uma conversa que tive aqui mesmo nesse banco de praça.
Um senhor havia sentado ao meu lado, começou a murmurar suas histórias dizendo coisas que sua boina e camisa larga me faziam duvidar, “Sabe meu jovem, eu já vivi demais”. Seu visual casual e improvável me faziam ter duvidas, ao mesmo tempo em que curiosidade, quanto à vida que ele viveu. “Eu já fiz de tudo, festejei, usei e abusei da farra, mas o que me trouxe até essa banco de praça foi o pior de todos os males.” Pensei comigo, o que teria feito tal mal para acabar como estava? Tive de perguntar, e fui surpreendido com um “Foi o amor, meu jovem”.
“O amor me trouxe até aqui, eu procurei tanto que só o que encontrava, era um velho na praça”. E talvez fosse isso, talvez aquele senhor precisasse entender que o que ele estava a procurar tanto era justamente ele mesmo. O tão consumado e desejado, amor próprio. Foi o que havia comentado. “Pois então, meu jovem, você já iniciou essa estrada com um passo a frente do que eu com sua idade”.
Aquela conversa durou horas e horas de uma boa tarde de domingo, depois de toda aquela tagarelice chegamos a concluir que o amor poderia machucar às vezes, mas sabíamos que nenhuns dos dois iriam parar de procurar. Pois quando for amor verdadeiro, nada irá ser melhor.
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